Marinha monitora ameaça na Venezuela
Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen ‘eventual distanciamento’ entre Brasil e EUA ‘traz dificuldades’
Em meio à ameaça de uma ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, o almirante Marcos Sampaio Olsen, comandante da Marinha do Brasil, afirmou que a Força monitora a situação, mas descartou um reforço de tropas na região fronteiriça no momento. Ele também comentou que o atual estremecimento nas relações entre Brasil e Estados Unidos, provocado por medidas do governo de Donald Trump como a imposição de tarifas a produtos brasileiros e sanções a autoridades, pode trazer complicações.
“As relações da Marinha do Brasil com as Forças Armadas dos EUA decorrem de um alinhamento estratégico há séculos. Naturalmente, um eventual distanciamento diplomático entre o Brasil e os EUA acarretaria dificuldades e impactos sensíveis para os interesses e o adequado cumprimento das atribuições das Forças, de parte a parte, em diversos campos de atuação, o que não é desejável”, declarou Olsen.
A reportagem apurou com oficiais do Exército que também não há qualquer planejamento para aumentar o contingente ou o armamento na fronteira com a Venezuela. Um militar de alta patente confirmou que não está prevista nenhuma medida nesse sentido.
O presidente Donald Trump intensificou suas ameaças ao líder venezuelano Nicolás Maduro, a quem acusa de envolvimento com o narcotráfico, e direcionou navios e tropas americanas para as proximidades do país.
Apesar da apreensão do governo do presidente Lula com a escalada da crise na Venezuela, as Forças Armadas brasileiras preferem se manter distantes do embate. A mesma postura é adotada em relação aos atritos políticos e comerciais iniciados por Trump contra o Brasil.
De acordo com um alto oficial, a orientação recebida do Ministério da Defesa é de que, em caso de um agravamento da crise, as autoridades devem buscar uma solução por meio de vias diplomáticas.
Um oficial do Exército ressaltou que o Brasil mantém relações concretas com os Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, e a diretriz atual é preservar esses canais abertos no campo militar. As comissões responsáveis pela compra de equipamentos para as Forças Armadas têm sede em Washington, e há militares brasileiros em missão nos EUA – só do Exército, são 120 homens.
